O Paraná encerrou o primeiro semestre de 2026 como o maior exportador de carne de frango do Brasil pelo quinto ano consecutivo, com embarques de 1,2 milhão de toneladas e receita de US$ 2,8 bilhões. Os dados, divulgados pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), mostram que o estado responde por 33% das exportações nacionais do produto.
O desempenho é resultado de décadas de investimento em genética, nutrição animal e tecnologia de processamento. As empresas paranaenses do setor — entre elas algumas das maiores processadoras de frango do mundo — operam com padrões de eficiência que poucos países conseguem igualar.
"Temos uma cadeia produtiva muito integrada", explica o presidente do Sindicato das Indústrias de Carnes e Derivados do Paraná. "Do milho e da soja que alimentam os frangos até o produto final embalado, tudo acontece aqui, com controle de qualidade em cada etapa."
Os principais destinos das exportações paranaenses são o Japão, a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos e a China. O mercado asiático, em particular, tem crescido significativamente nos últimos anos, impulsionado pelo aumento da renda e pela mudança nos hábitos alimentares.
Mas o setor enfrenta desafios crescentes. A pressão por práticas mais sustentáveis, tanto em termos ambientais quanto de bem-estar animal, aumenta nos mercados europeus e em parte do mercado doméstico. Empresas que não se adaptarem a esses padrões podem perder acesso a mercados importantes.
A concorrência de países asiáticos, especialmente a Tailândia e o Vietnã, também é um ponto de atenção. Esses países têm custos de mão de obra menores e estão investindo em modernização da cadeia produtiva. "A vantagem do Brasil é a escala e a eficiência. Mas não podemos ficar parados", alerta um analista do setor.
O impacto ambiental da avicultura intensiva é outro tema que ganha relevância. A produção de ração para frangos consome grandes quantidades de milho e soja, culturas que competem por terra com a vegetação nativa. O setor tem investido em programas de compensação ambiental, mas críticos argumentam que as medidas são insuficientes.