A estrada de terra que leva à Fazenda Três Pinheiros começa a subir logo depois que você deixa a rodovia. São 12 quilômetros de curvas e poeira que terminam em um portão de madeira, e além dele, uma surpresa: uma floresta densa, sombria, com araucárias que têm mais de 200 anos e atingem 30 metros de altura.
Em volta, o que se vê é o contrário: campos de soja e milho que se estendem até o horizonte, interrompidos aqui e ali por pequenos fragmentos de vegetação nativa. O Paraná perdeu mais de 80% de sua cobertura original de Mata Atlântica. O que restou está, em grande parte, fragmentado e degradado.
A Fazenda Três Pinheiros é uma exceção. Seus 340 hectares de floresta nativa foram preservados por quatro gerações da família Kowalski, imigrantes poloneses que chegaram ao Paraná no início do século XX. A história de como essa floresta sobreviveu é uma mistura de acidente, teimosia e, nos últimos anos, escolha consciente.
"Meu bisavô não derrubou porque era difícil", conta Andrzej Kowalski, 62 anos, atual proprietário da fazenda. "A terra era acidentada, tinha muita pedra. Era mais fácil plantar nos campos abertos." O que começou como uma decisão pragmática se tornou, ao longo das décadas, uma identidade.
Quando o pai de Andrzej morreu, nos anos 1980, havia pressão para converter parte da floresta em lavoura. O preço da soja estava alto, e vizinhos que tinham desmatado estavam enriquecendo. "Meu pai disse que não. Que aquela floresta era parte da família." A decisão custou dinheiro no curto prazo, mas criou um ativo que hoje tem valor crescente.
Nos últimos dez anos, a fazenda começou a receber pesquisadores da UFPR e da Embrapa, interessados no banco genético que a floresta representa. As araucárias centenárias produzem pinhões com características genéticas raras, e seus fungos micorrízicos são objeto de pesquisa para aplicações agrícolas. A família também assinou um contrato de serviços ambientais com o governo do estado, recebendo uma compensação pela manutenção da floresta.
"Não ficamos ricos com isso", diz Andrzej. "Mas ficamos tranquilos. E a floresta ficou."
A história da Fazenda Três Pinheiros é um caso raro de preservação voluntária bem-sucedida. Mas ela também levanta questões difíceis: quantas outras florestas poderiam ter sido salvas se houvesse incentivos econômicos adequados desde o início? E o que acontece quando o proprietário muda, ou quando a próxima geração tem outras prioridades?